domingo, 26 de abril de 2009

Fumar é legal. Pelo menos é o que querem que você pense.

Em Obrigado por Fumar, Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o porta-voz e a total personificação da Academia de Estudos do Tabaco, um grupo defensor das grandes empresas tabagistas. A missão de Naylor não é nada fácil: romper a saudável barreira antitabaco criada pelo mundo e pela crescente geração saúde. Para isso, ele põe a cara na mídia – sem dó nem escrúpulos, assumindo a postura de um verdadeiro popstar do tabaco. Tudo para convencer os EUA (e a si mesmo) que o cigarro não faz tão mal assim, mesmo matando 7.9 milhões de pessoas anualmente.

Nick Naylor é o melhor no que faz e é imbatível em qualquer discussão. Informações incontestáveis. Tanto talento assim, aliado a uma imensa paixão por cigarros e dinheiro – não necessariamente nessa ordem, transforma Naylor em uma
máquina. Ele sai pelo país espalhando sua venenosa mensagem pró-tabaco. E quando seus argumentos não bastam, ele deixa a elegância de lado (uma vez que a ética não existe) e apela para propinas a vítimas do cigarro e outras maneiras sujas de manipulação.

O sorriso sincero de um cara-de-pau.
E assim o filme segue, até surgir Heather Holloway (Katie Holmes), uma sensual repórter que leva Naylor para cama e, lá mesmo, arranca informações confidenciais a respeito da Academia. Os chefes de Naylor, obviamente, não ficam nada felizes e o colocam no olho da rua. Mas, como falamos de uma produção hollywoodiana, tudo acaba dando certo. Nick Naylor deixa o mundo do tabaco e começa a prestar consultoria para grandes conglomerados, ensinando-os a fazer o que ele mais sabe: manipular e convencer. A ética de Naylor continua perdida por aí, mas isso não importa. O que o filme propõe, é que encontremos a nossa.

Obrigado por Fumar não é exatamente só mais uma ficção.
O filme é um questionamento sem fim. Mais que uma alfinetada, ele é uma injeção anti-rábica no universo da opinião pública (o nosso universo, por sinal). Até que ponto nós, como telespectadores, somos manipuláveis? Até que ponto nós, como comunicadores, somos manipuladores? Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade? Temos um imenso poder nas mãos, mas o que será feito com ele varia de acordo com o caráter. O filme é uma aula.

A mensagem que transmitimos importa sim, e muito. Agora, para realmente alinharmos os interesses empresariais a interesses pessoais, é preciso transmiti-la da maneira correta e, acima de tudo, pelos meios corretos. Nossos públicos estão em todo lugar, compostos por pequenos grupos. Cada um com sua peculiaridade, com seus anseios. Atender a todos é praticamente impossível, mas atingir e satisfazer ao menos 90% deles é o mínimo exigido de nós.


Outro ponto interessante levantado do filme: não há lugar para a utopia, figurinha tão presente nas gélidas cadeiras das universidades de comunicação. Não há bondade integral; não há empresas realmente preocupadas com o meio ambiente; não há interesses inteiramente dirigidos à comunidade desprivilegiada. A verdade (que está lá fora) não é o que é transmitido para nós ao longo da graduação. E ninguém precisa de uma língua afiada, um rostinho bonito e um confortável terno Armani para saber disso. Basta manter os olhos abertos. No fim das contas, o que importa é o que todos fazemos com o que nos é fornecido e oferecido. E, como diria Nick Naylor: “Michael Jordan plays ball, Charles Manson kills people, I talk. Everyone has a talent”.

PS: Taí um trabalho de faculdade que eu gostei de fazer. Sei lá que nota vou tirar, mas pelo menos consegui escrever com um pouco (o mínimo, pelo menos) de liberdade.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Me-dí-o-cre

Dizem que os melhores momentos para se escrever alguma coisa são os momentos em que você se sente medíocre. Que você se sente nocauteado por algo maior que a sua compreensão. Momentos onde o simples ato de sorrir parece um desafio digno de Hércules e cia.
Quem diz isso não sou eu, e nem deve ser você. São todos aqueles pseudo-poetas que escrevem coisas como "segredos de liquidificador" e aqueles outros rostinhos encantadores que morrem antes dos 30 por não aguentar o martírio de ser milionário.
Eu não concordo. Nem um pouco. Com nenhuma palavra. Até porque, tipinhos como esses caras são tão medíocres quanto o sentimento avassalador da mediocridade.
Simples? Não, não é. A vida não é simples, você pode dizer. Eu, pra ser sincero, prefiro não comentar algo sobre isso. Vivi pouco, não vivi intensamente. Acho eu, que vivi mediocremente mais momentos que o necessário. E lá vem o medíocre de novo.
Agora, o que sei (bem) é que escrever perde sua simplicidade, seu tato, seu prazer, quando se está mediocre. Afinal, você já parou para analisar a palavra "medíocre"? Na boa, é uma das palavras mais feias da história, só perdendo para outras tipo joelho e cloaca, como diria Mario Prata. Agora me diz, como algo bom pode sair de um momento definido por tão desprezível adjetivo?
Me diz, por favor. Com sinceridade, assim como foi esse post, redigido em pouco mais de 7 minutos e sem toques no backspace.
Sou medíocre ao acordar. Sou medíocre no trabalho. Sou medíocre na faculdade. Sou medíocre em casa. Sendo assim, se é possível retirar algo da mediocridade, reitero meu pedido: diga-me, por favor.