domingo, 28 de setembro de 2008

Hoje meu joelho "trec".

Pois é. Aqui, do ápice de uma das noites mais solitárias da minha existência, meu joelho fez um barulho estranho. Sinal do tempo? Sinal da balança? Sinal de cansaço? Sei lá, não faço idéia. Só sei que isso me fez refletir. Uma reflexão estranha, hei de admitir, mas ainda assim uma reflexão.

Alguém aqui lembra dos bons e velhos 8 anos de idade? Quando, ao babarmos em uma vitrine de loja de brinquedos, escutávamos um chato "Deixa pro natal, filhão!" de nossos pais? Pronto. Na mesma hora, várias reclamações passavam pelas nossas ingênuas e pequenas mentes. "Poxa vida, o natal é muito longe. Não vai chegar nunca". E pior que é. O dia 25 de dezembro não chegava nunca. Eram longos e longos meses de ansiedade, indecisão e sensação de saco cheio. Os minutos pareciam horas, as horas pareciam dias, os dias pareciam meses e assim vai. Sensações chatas, porém inevitáveis para qualquer pequeno chatinho, como eu fui (e sou).

Enfim, os anos foram lentamente se passando e, hoje, a situação é completamente oposta. Agora, horas parecem minutos, dias parecem horas, meses parecem dias e assim continua indo. Frases como "Pra semana que vem, ok?" e "Mês que vem a gente vê isso.", refletem em nossa mente como "Puts, deixa eu correr pra resolver isso porque tá apertado o prazo" ou "Mas já?!".
É foda. É estranho. Mas, assim como aquelas antigas sensações eram inevitáveis, estas também são, mesmo que anos separem tais instantes. Singulares em sua condição, semelhantes em suas conseqüências.

Não sei o porquê dessa mudança repentina. E, honestamente, tenho medo de descobrir o real motivo. Afinal, o tempo é o mesmo e não há razão (nem muito menos explicação) pra ele passar de forma diferente.

Tenho medo de me descobrir um velho precoce. Um cara que deixa a vida passar em vão. Tenho medo de me descobrir aqueles caras que morrem e não deixam nada de legal por essas bandas. Um cara que não fez a diferença. Tenho medo de me descobrir um babaca. Um cara que só sabe reclamar da vida e lembrar ddos supostos bons e antigos dias. Tenho medo. Tenho sono. Tenho nervosismo. Tive calma. Tive disposição. Tive paciência. O que terei, eu nem arrisco palpitar.


Na boa, não sei se o que escrevi aqui faz sentido. Às vezes, é só o resultado de um ócio extremo e uma solidão que beira o insuportável. Mas é sempre bom pensar que, tudo o que eu falo, tem certo teor de razão. Na verdade, eu não quero estar errado ao mesmo tempo que quero estar certo. Puta merda, que confusão. Deixa pra lá. Vou-me-indo-me e deixo tais palavras confusas e com uma pitada de desabafo aqui, ao relento. Eu vou correr pra fazer alguma coisa que me distraia. Corro, porque a vida passa rápido . Corro pelo vicio da pressa. Corro sem nenhum motivo. Corro pra buscar uma explicação para a correria. Corro.

Devaneios publicitários de um não-publicitário.

Antes de retirar as poeiras do meu velho teclado e voltar a escrever neste espaço deserto, só um aviso: fugindo à regra do tema do post, não utilizarei de fotos e derivados na execução deste texto (só um videozinho, pra falar a verdade). Serei só eu, minha imaginação, minha criatividade (cadê?) e... sei lá, meus dedos velozes na digitação. Enfim, vamos lá.

Esse final de semana, em uma rápida conversa com a Mari - que além de ser uma diretora de arte fora de série, é uma pessoa realmente incrível - fiz uma observação igualmente breve, mas que não foi fácil de ser alcançada: os publicitários e o seu mundo particular são pessoas incríveis no sentido mais divertido e delicioso da palavra. Sim, eu assumo de peito aberto, temos (nós RPs) muito a aprender com esses seres criativamente inteligentes.

Confesso antes ter certo "nojinho" dessas figuras tão distintas. Afinal, o esteriótipo já está feito: mesquinhez, muita grana, muitos egos, muitos narizinhos empinados e muitos cabelos brancos que vestem All Star e calça curtinha. Enfim, publicitários são metidos e, principalmente, moderninhos - pelo menos é o que parece.

Apesar dos clichês, dos esteriótipos e da forma moderna (porém fashion) de se vestir, essas pessoas possuem uma característica única e absolutamente encantadora: a forma de pensar.



Pois vejam só: antes de entrar de cabeça nesse mundo, meu mundo era cinza. Não se referindo à tristeza, afinal minha vida sempre foi muito divertida, mas sim à criatividade. Nunca ousei transpor as barreiras do institucional, as barreiras da seriedade fosca, seca e chata. Só o capricho bastava, só a idéinha bastava. Bastou. Pelo menos até eu descobrir, via a publicidade, que podia ir além. E, puts grila, o além é muuuuuuito mais divertido!

Me lembro bem das palavras do Zé em uma "aula" sobre criação publicitária. O cara afirmava: "Depois dessa experiência, nenhuma propaganda será a mesma para você". E não foi (é) mesmo. Não só as propagandas - que agora se transformaram em um amontoado de briefings, conceitos, linhas criativas, etc - como a minha forma de ver o mundo e sua realidade. As cores são mais fortes, as palavras são mais vivas, os movimentos são mais firmes e o ar é mais leve. Resumindo, a propaganda e a sua singular maneira de interpretar e enxergar cada pontinho nesse mundão cada vez menos azul transformou minha forma de ser, pensar e expressar. Para melhor, creio eu.

Enfim, resumindo (bem resumidão, mesmo), o esteriótipo, pra mim, caiu. De uma vez por todas, abri minha cabeça para essas novas descobertas que faço diariamente. E, sinceramente, essa foi uma das coisas mais inteligentes que fiz nos últimos tempos. Espero que eu me mantenha assim, atento. Espero, também, que a profissão de Relações Públicas faça como eu, deixe o orgulho um pouco de lado e abra a cabeça para esse mundo encantador.
O que eu posso fazer - além de me acabar de escrever? É divertido ué!