terça-feira, 11 de novembro de 2008

Amazônia: o pós dia-pós-dia (Dia 1, 23:13)

Que saco!
São 4 horas da manhã e o dia já começa. Assim como foi minha viagem na vida real, esse primeiro post - de uma série de 6 - já começa com uma reclamação. Afinal, após pouco mais de 1 hora de sono, eu despertava para o que seria a maior viagem da minha vida, até o momento (maior e não melhor, ok?). Enfim, encontrei o pessoal todo na faculdade e, de cochilo em cochilo (não sou antisocial, só sonolento), cheguei ao aeroporto de Guarulhos. É ali que o dia começava pra valer: um aviãozinho teco teco me esperava, ora pois! O sol mal havia nascido e eu já tinha que enfrentar um medo - o de avião. Subi no voador e, dentro de pouco tempo, estava parando em Brasília, nossa primeira escala. Que vôo tranqüilo. Que vôo gostoso. "Essa viagem vai ser fichinha!", pensei. Ledo engano.

O pessoal da USP à esquerda, nós à direita e o aviãozinho no fundo.

De Brasília seguimos todos para a Serra do Cachimbo, nossa segunda escala, e de lá partimos, finalmente, para Manaus. Porém, no meio do caminho tinha uma bolha de ar, tinha uma bolha de ar no meio do caminho. Turbulências a dar com pau. Foi comissário quase caindo, menina gritando, eu gritando, menina vomitando (sério!), sem contar o medo. Tipo, medo mesmo, não nervosismo, medão. Mas, como diria aquele cantor que eu nem sei quem é: "Mas tudo passa, tudo paaassa". E após uma visita à cabine do piloto, comecei a enxergar meu medo de avião se esvarir. Lá é tão legal e moderno, que nem tem como temer alguma coisa.

Enfim, demorou mais chegou, e finalmente eu colocava os pés em terras amazonenses. Um abafado vento quente e típico me deu as boas vindas junto com diversos apertos de mão de Coronéis, Tenentes, Capitães e afins. Na tranqüilidade da terra firme, é possível conhecer melhor os universitários que nos acompanham. Todos, além de inteligência, aparentam simpatia, o que alavancam as minhas expectativas. O hotel também cumpre o que promete: TV à cabo, cama quentinha, chuveiro e só. Não precisamos de muito mais que isso. Após um pulo na piscina e um outro cochilo, saí para conhecer o bairro. Aí sim, uma decepção. Tanto o bairro, quanto a cidade têm um aspecto de periferia constante, muita sujeira no ar, desorganização e, principalmente, falta do que fazer. Mas o ócio não continuaria por muito tempo. Às 20h, chega a hora do tão esperado e comentado jantar de recepção.

E que jantar! Comida e bebida à vontade; cadeira marcada com "Sr. Victor"; generais conversando conosco, réles mortais; bandinha e vários outros luxos que você pode tentar imaginar. Sinceramente, eu não sei se merecia tudo isso, mas se tava lá pra mim deveria ter um porquê. O protocolo ficou pra trás e deu lugar a um estampado sorriso no rosto dos veteranos - e no meu também(!). Os milicos são legais, e eu não sabia.

Estou exausto, atravessei o Brasil e vi paradigmas serem quebrados o dia inteiro. Ah, que cansaço gostoso! Ah, que bom que esse é só o primeiro dia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu queridão Vi,

Você não devia temer voar. Antes mesmo de nascer, quando media uns 5-6 cm da cabeça até a bunda na barriga da sua mãe, fez o seu primeiro voô. Ia cruzar os mares e nascer do outro lado da Terra.

Nunca pensei que muitos anos depois... bom, nem tantos assim, vc estaria indo conhecer um outro "mundo". Legal!

Beijos do seu pai