sábado, 3 de maio de 2008

Sumonando o Trovão!


Esse ano vem carecendo de ótimos lançamentos. Até agora tem o obZen do Meshuggah e o... não, só isso mesmo. Em um ano que não vai indo muito bem - até o momento, o que resta é escutar algumas ótimas novidades que apareceram no finalzinho de 2007, quase 2008. Tirando o "Nocturnal" do The Black Dahlia Murder que é algo absurdo, o "Summon in Thunder" do(a) Himsa (puta nome legal, esse!) me surpreendeu bastante esse ano. Digo esse ano porque só descobri essa pérola há um mês.
Bem, os caras do Himsa sempre mandaram benzinho. Porém, nadavam no oceano de inúmeras bandas que tiram o mesmo tipo de som, com as mesmas características. Vinha sendo sempre assim: umas melodias aqui, uma acelerada aqui, uma parada estratégica acolá.
Agora, o que esperar do SiT? Caras, afirmo que eles não revolucionaram nada! Mas, calma lá, isso não significa porcaria! Pelo contrário! Souberam aproveitar bem a nova onda de mulecada- caótica-sompesadinho-cabelinho-roupinhajusta, mantiveram seu som tradicional, elevaram a qualidade técnica ao extremo e, tcharam, conseguiram se destacar no meio da maldita mesmice.
O álbum todo é cheio de melodias, vocais extremamente fortes (urros, muitas vezes), uma bateria vezes pacífica, vezes agressiva e trechos muito - mas muito - grudentos. Sabe quando você fica voltando no Winamp naquele segundo daquele riff de guitarra? Então, toda santa música tem pelo menos um trecho assim.
Pra começar, nada de intros nesse álbum - finalmente! A "intro" por assim dizer, faz parte da primeira (e violenta) "Reinventing the Nose". A faixa é meio estranha, de uma maneira agradável. Ela é rápida e eficiente a maior parte do tempo, mas a guitarra, aparentemente, não acompanha, com umas palhetadas meio Catacumbas do Egito, saca? Nada que ofusque o brilho desse começo.
Mal acaba a Reinventing e PIMBA(!) começa "Haunter" com seu urro desesperador. Aqui é absolutamente perceptível a harmonia entre os dois bróderes guitarristas, mas nada de muito destaque no resto da faixa. Do álbum todo, uma das que passa batido mais fácil.
"Big Timber" começa de maneira interessante - e mantém-se assim até o fim da faixa! Também pudera, é a faixa de trabalho dos caras. Aqui, na minha opinião, o toque de gênio vem na bateria, especialmente no trabalho nos pedais. Mas, mais legal do que qualquer coisa nessa música, é o vídeo dela. Um dos vídeos mais geniais e divertidos que eu já assisti. Enfim, excelente faixa. A coisa agora começa a esquentar de vez.
Chega "Given It to the Taking", uma das faixas top do álbum. A música toda é composta de toques de gênio - daquelas que fazem com que você se encontre cantarolando sem nem perceber. O destaque, porém, fica pro minuto final da faixa. Uma das "reviravoltas musicais" mais impressionantes que eu já ouvi.
Depois da violência, vem a calmaria (tem um ditado parecido com essa frase, mas eu esqueci). Começa "Skinwalkers" com seu "jeito instrumental de ser". Também pudera, o destaque, nessa faixa, fica com a instrumental, impecável do começo ao fim - e indescritível, também. Só ouvindo para realmente sacar a mágica.
"Curseworship" fala por si só. Um nome ótimo para uma música melhor ainda. Guitarras em duelo do começo ao fim e palhetadas estilo cena de filme de ação, saca? Eu sei que ninguém vai entender, mas putz, tá difícil descrever esses trechos. São épicos demais.
"Hook as Hands" começa promissora, como se dissesse "destruirei tudo em minha frente". Mas, infelizmente, não agüenta o tranco muito bem. O vocal chorado ("a vision of hoorr-ooOOoo-oo-r") cansa facimentel, e os caras insistiram e repetir o trecho umas duas vezes, pelo menos. O bacana aqui é o final, pra falar a verdade. Um urro digno de lobisomem uivando pro luar. Foda.
"Ruin Then" é a faixa que mais me deixou em dúvidas no álbum todo. Ela tem trechos muito bons, acompanhados de trechos muito fracos e absolutamente cansativos. Apesar dos pesares, definitivamente vale à pena escutar, principalmente pelos tais trechos muito bons.
"Den of Infamy" é uma faixa, praticamente, instrumental-pausapradescansar. Mas, na verdade, é uma das mais lindas - lindas de linda mesmo, bonita - do álbum todo. Sua guitarra é potente e, com o perdão do melodrama, toca o coração com uma ternura absurda. Mas, pouco depois de sua metade, entra o vocal urrado e prolongado, característica forte do álbum. Curiosidade: aparentemente, há uma participação especial RIDICULARMENTE potente aqui. Os berros finais são praticamente berros de robôs enraivecidos cujo o único objetivo é matar - hasta la vista, baby!
Puts! Mal acaba a Infamy e já vem a mais thrash-tironacara do álbum. "Unleash Carnage" vem como um soco na boca do estômago. Seu inicial grito ensurdecedor nos dá um gosto da potência que durará pelos próximos 2 minutos e 2 - cravados! Assim como Big Timber, Unleash Carnage tem um vídeo muito bacana, vale conferir!
Fechando com chave-de-ouro essa ótima surpresa do Himsa, temos a homônima "Summon in Thunder". Ela é puro metal do começo ao fim: forte, técnica, rápida e grudenta. Uma das mais bacanas do álbum, com tranqüilidade.
Enfim, Summon in Thunder é um álbum na medida certa: não é longo demais, nem curto demais; não é melódico demais, nem melódico de menos; não exagera nos refrões e partes grudentas, porém não deixa elas de fora nos momentos adequados.
É um álbum difícil de descrever, por ser um álbum único. Há quem diga que já ouviu milhares de coisas - novas - parecidas com o SiT. Mas, não importa, o Himsa, finalmente, alcançou o destaque técnico-criativo que vinha buscando há um tempo. O melhor deles e, tranqüilamente, um dos três melhores de 2007. Ouçam-no, por favor.

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